terça-feira, 25 de junho de 2013

capital europeia do sol


mais recente edição da revista internacional Monocle colocou Lisboa no topo das capitais mais soalheiras da Europa. São ao todo 3023 horas de sol por ano!!! Uma maravilha! À frente da vizinha Madrid (2910 h/ano) e da mais longínqua Viena (2204 h/ano), embora seja de estranhar que Atenas não seja mencionada... Talvez porque em índices de qualidade de vida e de bem-estar Atenas não esteja, atualmente, em condições de sequer se apresentar como candidata.
 
Em todo o caso, com ou sem Atenas, a verdade é que todas as antenas dos sunseekers começam, cada vez mais, a apontar para a velha Lisboa. E os confrontos populares e armados além fronteiras têm vindo a dar uma ajudinha preciosa ao turismo e ao comércio nacional. Istambul foi a última grande cidade a ceder terreno para a capital portuguesa. A pérola do Bósforo tem vivido tempos conflituosos difíceis de conciliar com as visitas de viajantes estrangeiros.
 
A Convenção do Rotary International é a mais recente conquista lisboeta no que toca a organização de eventos. Com mais de 25.000 inscritos provenientes de cerca de 160 países, este acontecimento provocou uma tremenda enchente nos hotéis da cidade e, certamente, também nos restaurantes e lojas dos locais mais apetecíveis da capital.
 
Na realidade, os grandes eventos não são a solução para os problemas económicos, mas acabam por dar uma pequena ajuda, que deve ser aproveitada. O exemplo mais claro é o caso do Brasil. A pouco tempo de receber as Jornadas Mundiais da Juventude, o Campeonato do Mundo de Futebol e os Jogos Olímpicos, depara-se com um descontentamento social generalizado de um povo que, após as conquistas dos últimos anos, assume que não basta gastar - ou investir (depende das perspetivas) - em grandes eventos para fazer um país avançar. Do outro lado, Aécio Neves, o novo presidente do partido da oposição - o PSDB de Fernando Henrique Cardoso e José Serra - abandonou os discurso batido da esperança, para passar a utilizar outro termo, que há muito tinha sido abandonado, mas que talvez agora comece a fazer sentido: a "utopia".
 
Mas longe dessas questões, voltando à nossa realidade - e à lista da Monocle das 25 cidades com melhor qualidade de vida -, valerá a pena pensarmos quais as razões pelas quais Lisboa não entra nessa elite. Recordando que, aqui mesmo ao lado, Madrid ocupa a 18.ª posição (subiu duas face a 2012) e Barcelona a 21.ª (manteve), porque será que Lisboa - a capital europeia do sol, repleta de cafés e esplanadas, refletida no Tejo e a tão poucos minutos das ondas do oceano, sem demasiados habitantes - está ainda tão longe dos primeiros lugares - 1.º Copenhaga, 2.º Melbourne e 3.º Helsínquia?
 
Aqui vão os critérios de ponderação:
- população;
- n.º de voos internacionais;
- horas de sol;
- temperaturas;
- tolerância;
- taxa de desemprego;
- pontos de carga para carros elétricos;
- cultura (museus, cinemas e teatros);
- livrarias;
- espaços verdes;
- futuras iniciativas de desenvolvimento;
street life (cafés e comércio para um passeio ao ar livre);
- jantar ao domingo (restaurantes e supermercados abertos).
 
Dá para entender os motivos pelos quais não estamos nem nos 25 primeiros. É que até podemos ser campeões em alguns indicadores, mas ainda falta a Lisboa muito trabalho - e sério! - para roubar os lugares a Düsseldorf (25.º), São Francisco (24.º), Portland (23.º) ou Amesterdão (num intrigante 22.º lugar). Cumpre salientar que, curiosamente, as cidades italianas também não convenceram o júri.
 
Torna-se, assim, fundamental olhar para o que de melhor se faz no mundo no âmbito da promoção da qualidade de vida e da regeneração urbana. Mas não nos poderemos limitar apenas a copiar o que os outros fazem, como já tem vindo a tornar num hábito recorrente por terras lusas. Sem esquecer as nossas características, as nossas especificidades e as nossas qualidades - que são muitas -, é nossa obrigação fazer ainda melhor que os outros.
 
Embora saibamos que é possível conquistarmos um lugar no Top 25, fica a certeza de que ainda é preciso bastante trabalho para aprimorar este tão peculiar alfacinha style!

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